Os Clássicos

Terminei o livro O Seminarista, de Bernardo Guimarães, o mesmo autor de A Escrava Isaura. Já tem um tempo que eu queria colocar na rotina ler livros clássicos, especialmente os brasileiros, porque me causava incômodo pensar que li poucos livros desse nicho depois que passei do período escolar. 

No breve comentário que fiz no Skoob, mencionei que o livro de Bernardo Guimarães é uma história curta e rasa de um amor puro e proibido entre dois jovens, no Brasil rural do século XIX. 

O livro é de 1872 e tem a linguagem rebuscada da época, mas fazendo uma rápida leitura com as técnicas que comentei em outro post, dá pra entender a mensagem do autor sobre a fragilidade do personagem principal e a sua manipulação por parte da família e da igreja, em virtude do enorme poder, influência e status social que a vocação religiosa representava na época.

Não é o forte do livro, mas me chamou a atenção os trechos em que ele detalha costumes e tradições das famílias rurais brasileiras.

Tudo me pareceu muito estranho e pouco familiar…e constantemente me pego comparando as referências que tenho do Brasil e as que tenho dos EUA.

Dos clássicos do colégio, eu me lembro de Macunaíma, Sagarana, e O Alienista: romance indigenista, romance sertanejo, e romance urbano, é isso? Filmes e séries brasileiros, também assisti pouquíssimos…agora que passei a conhecer mais.

Só pra ler o livro Uma breve história do Brasil, dos historiadores Mary Del Priore e Renato Venancio, levei quase 10 anos, entre idas e vindas. Terminei agora, no impulso que peguei com o Seminarista.

Por outro lado, se me perguntarem da cultura e história dos EUA, vou me lembrar mesmo que vagamente de símbolos ou referências como: faroeste, guerra civil americana, jovem rebeldia de James Dean e de Grease, o macartismo, a guerra fria, os agentes secretos do FBI e da CIA, a área 51, as bruxas de Salem, o dia de Thanksgiving, o Natal do papai noel da coca-cola, com o beijo embaixo do mistletoe, a formatura do colegial, entre muitos outros símbolos e costumes.

Como diz um famoso meme das redes sociais: errado não está. Mas está certo? 

Bônus

  • Podcast Loucos por Biografias: Tânia Barros apresenta de forma rápida um pouco sobre a vida e obra de personagens históricos de bastante influência no Brasil e no Mundo, e entre eles, estão autores brasileiros como: Clarice Lispector, Cora Coralina, Gonçalves Dias, Machado de Assis, e Aluísio Azevedo.

Competitividade sadia para leitores lentos

Competitividade nunca foi uma palavra habitual no meu vocabulário. Sempre comentei com as pessoas que gostava de natação porque era um esporte “solitário”, que não dependia de ninguém além de mim, e que me poupava de todo aquele stress da cobrança do time (quem passou pelas olimpíadas escolares vai entender). Eu nem conhecia o Coringa, mas hoje eu vejo que já tinha um pensamento do tipo:  Why so serious?

Em 2002, comprei um pequeno livro chamado “La Vie en Rose”, de Dominique Glocheux, e imediatamente me apeguei à frase “386.Resista à vontade de demonstrar que tem razão. Deixe as pessoas de bem com seu amor-próprio. Escolha ser feliz, em vez de ter razão“. Foi aquela sensação de match, como se tivesse encontrado a frase que respaldava o meu antagonismo à competitividade e que também me blindava de desavenças fúteis com as pessoas.

Mas, com o tempo, as tentativas e erros da vida nos fazem perceber que, em alguns casos, é preciso um pouco mais de combustível pra tocar alguns projetos pra frente – e que você precisa ser competitivo (com você mesmo) pra não ficar dando voltas em círculos.

É como o hábito de ler.

Sempre admirei os leitores vorazes, e sonhava com o dia em que esse hábito fosse um pouquinho mais regular e natural na minha rotina. Tenho dificuldade em terminar livros, e não é por falta de alfabetização (!!), é por falta de disciplina mesmo. Começo um, paro. Começo outro, travo, e retomo meses depois. Outros, naturalmente abandonamos, e ok, é normal.

Obviamente, isso nunca impediu ninguém de entrar numa livraria e sair com mais 2 exemplares no braço, então, eles continuam chegando…e parando na estante. 

Até 2020, eu nunca havia encontrado a melhor estratégia pra contornar isso, mas também nunca desisti. Então, este ano tentei caminhos diferentes:

  • para evitar o hábito de acordar e mexer no celular, passei a deixar um livro do lado da cama, antes de dormir. Quando acordo, leio 1 ou 2 páginas sem me preocupar com a “vida lá fora” –  se você empolgar e tiver tempo, pode avançar até mais do que isso…
  • paralelamente, me ocorreu de instalar novamente o app do Skoob e ver se o ambiente estava mais amigável (anos atrás cheguei a instalar, mas achei muito engessado), e me deparei com a função “Histórico”, em que você pode registrar a parte do livro em que está (ex: página 30/150), entre outras funções;
  • por um acaso, acessei um dos materiais de estudos do app Elevate (veja abaixo) que ensinava sobre a prática de subvocalização (quando você lê falando ou pronunciando mentalmente as palavras). Segundo o material, lemos mais rápido do que falamos, então se conseguirmos reduzir a subvocalização, podemos aumentar nossa velocidade de leitura de forma considerável! Então…
  • Dois exercícios são sugeridos para praticar, aos poucos: se 1) se você costuma ler falando, tente murmurar em vez de ler as palavras (hmmmm); 2) se você costuma ler mentalmente cada palavra, experimente contar de 1 a 10 mentalmente, enquanto lê.

Se eu tentei? Claro! Esse de 1 a 10 funcionou mais pra mim, e definitivamente está me ajudando a ler mais rápido (sem perder a compreensão do texto). 

Sobre o Skoob, obviamente que o app tem muito mais funções que isso (você pode salvar novos livros para ler, participar dos desafios de leitura, ou trocar ideias com outras pessoas sobre os livros que estão lendo), e não tem o propósito de promover a competitividade entre os leitores, mas percebi que registrar os meus progressos e ver os de outras pessoas, pode ser bastante estimulante! 

A qualquer hora do dia, inúmeras pessoas estarão lá atualizando suas leituras, e você simplesmente…não quer ficar pra trás! Acho que o app provoca uma sensação do tipo: “humm, olha que livro interessante”, ou “olha, tem muita gente aproveitando seu tempo útil para ler e se informar, e eu também quero ser assim!”

Isso é o que eu chamo de competitividade sadia para leitores lentos.

A ideia aqui não é deixar ninguém ansioso para ler 50 livros por ano, no estilo “a produtividade do lazer” (quem nunca?), como sugere a tirinha do @linhadotrem, mas trazer ferramentas para desenvolver a leitura, e obviamente tirar o melhor proveito disso!

Bônus

  • Skoob: aplicativo para leitores, onde você pode incluir os livros que já leu, os livros que quer ler, participar de desafios, e conhecer outros leitores e livros mundo afora…o meu perfil está aqui do lado direito do blog!
  • app Elevate: excelente aplicativo para praticar inglês, de forma nada monótona! Tem jogos para praticar Escrita, Fala, Audição, Leitura e Matemática. Com esse aplicativo, aprendi muitas expressões típicas da língua inglesa e me desenvolvi MUITO em matemática. Meu marido que descobriu, e jogamos diariamente. Viciante e instrutivo!